Glaucoma, cegueira silenciosa

Dr Francisco no consultório

Doença é a principal causa de cegueira irreversível mundo. Consultar um médico oftalmologista anualmente é crucial para evitar a perda da visão

Glaucoma é uma doença silenciosa que atinge o nervo óptico e envolve perda de células da retina, responsáveis por enviar os impulsos nervosos ao cérebro. Por ser uma enfermidade assintomática, o diagnóstico geralmente é tardio. Isso faz com que o glaucoma seja a principal causa de cegueira irreversível no mundo.

Quando se busca ajuda médica precocemente o prognóstico é positivo pois é possível controlar a doença por meio de medicamentos, como colírios, ou recorrer à cirurgia. “O paciente não conseguirá cura, mas, com o tratamento, tem grande chance de não perder a visão”, enfatiza o ex-presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), Dr. Francisco Eduardo Lima. Ainda de acordo com o médico, há casos de elevação aguda da pressão intraocular em que o paciente fica cego em uma semana. “Já presenciei inúmeras ocorrências em que, mesmo após o controle da pressão do olho, a cegueira irreversível estava instalada”, revela.

Existem principalmente quatro tipos de glaucoma, o de ângulo aberto, de ângulo fechado, congênito e secundário. Os dois primeiros são mais comuns. Todavia, segundo o oftalmologista, mais da metade dos cegos por glaucoma são de ângulo fechado. “É um tipo da doença que se instala e cega rapidamente”.

Glaucoma é uma doença multifatorial e a hereditariedade é importante. O de ângulo fechado acontece quando a saída do humor aquoso é subitamente bloqueada e, dessa forma, há o aumento abrupto da pressão do olho. Esse tipo acomete principalmente pessoas com hipermetropia, pois, geralmente nestes casos o olho é menor que o normal e o ângulo da câmara anterior é estreito. O glaucoma congênito é um tipo raro da doença e ocorre em 1 a cada 10.000 nascimentos vivos. O secundário costuma ser causado, principalmente, pelo uso de ‘medicamentos, como corticóides, traumas e outras doenças oculares.

A predisposição da doença só é diagnosticada por meio de consulta com o médico oftalmologista, por isso é crucial visitar o especialista anualmente. No atendimento, o médico realiza dentre outros o exame de fundo de olho que pode evidenciar, além do glaucoma, outras doenças, como o diabetes.

Pessoas acima de 40 anos de idade, com histórico familiar da doença, e negros fazem parte do grupo de risco. O ex-presidente da SBG ainda alerta sobre a “vista cansada”. Segundo ele, existem indivíduos que geralmente não procuram o médico oftalmologista e costumam comprar óculos sem serem submetidos à consulta oftalmológica e em locais inadequados. “Essas pessoas não procuraram o oftalmologista e nem sequer tiveram a pressão do olho aferida e, mesmo assim, compraram óculos concluindo não terem problema algum além da dificuldade para ler. Dentro de cinco anos elas podem estar cegas”, alerta.

Além disso, automedicação é outro fator preponderante para o desenvolvimento de glaucoma. O uso indevido de colírios de corticóides, sem orientação médica, geralmente melhoram qualquer irritação ocular, porém, podem desencadear a doença. Ademais, a miopia, o ato de fumar e sedentarismo são outros fatores de risco. Eles podem elevar a pressão do olho e, assim, aumentar a probabilidade de desenvolver glaucoma.

Entrevista cedida ao "Oftalmologia em Goiás" junho/julho 2017

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